Adeus, Papa Francisco: Um Pastor que Viveu o Evangelho com Amor e Simplicidade

Em 2013, um mundo ainda surpreso pela renúncia do grande Papa Bento XVI, ficou ainda mais chocado quando o Espírito Santo guiou a eleição de um “papa do fim do mundo”, Cardeal Jorge Bergoglio, proveniente da nossa vizinha Argentina, o primeiro pontífice da América.

Logo de cara, percebemos que uma das principais características era a simplicidade: trajes modestos, menos formalismos e um bom humor cativante. Não raramente surpreendia pessoas em suas saídas por Roma e em outros encontros.

Escolheu o inédito nome de Francisco, já sinalizando a inspiração no Santo de Assis, o que se confirmou por sua predileção pelos pobres e defesa da criação, como vimos em muitos de seus gestos, homilias e Encíclicas.

Logo no início de sua missão, esteve no Brasil, para a Jornada Mundial da Juventude, onde muitos de nós tivemos a oportunidade de vê-lo de perto na Praia de Copacabana, no meio de uma multidão que bateu todos os recordes.

Assim como Francisco de Assis, Francisco de Buenos Aires também foi marcado pelo diálogo. Se o primeiro foi até o sultão durante as Cruzadas, nosso Papa esteve em países onde os cristãos são minoria, conversou com chefes de Estado e de religiões diversas, sempre buscando aproximação e paz, reforçando os pontos comuns e reduzindo as diferenças.

Entretanto, a característica mais marcante de seu legado será a MISERICÓRDIA. Além de um livro dedicado ao tema, suas atitudes refletiram o amor misericordioso do Pai. O gesto de lavar os pés de detentos na Missa da Quinta-feira Santa, o acolhimento de todos, sem discriminação, muitas vezes levou a julgamentos injustos, mas Francisco não se abalou, pois se inspirava naquele que “recebe pecadores e come com eles”. Na era dos julgamentos nas redes sociais, foi atacado até por pessoas que se dizem católicas, assim como faziam os fariseus da época de Cristo.

No final, a saúde de Francisco, já frágil por problemas anteriores, começou a cobrar o preço de tanta entrega. Após uma longa internação, Francisco voltou debilitado, como se tivesse ainda uma última tarefa a cumprir. Acompanhou as atividades da Semana Santa, pronunciando poucas palavras com muito esforço, por conta de sua respiração já comprometida. Ontem, no Domingo de Páscoa, deu a benção urbi et orbi para o mundo todo e cumpriu sua missão, nos deixando na manhã de hoje.

Que Deus te receba em Seu Reino, Francisco. Estamos nos sentindo órfãos, pois perdemos um Papa, um líder, um pastor, mas, ao mesmo tempo, somos gratos por tudo o que nos ensinou e temos a certeza de que você está junto de Cristo, de São Francisco e de seus predecessores na Casa do Pai.

Que o novo comandante da barca da Igreja siga seu legado.

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