Madre Assunta e o Orfanato

A rua do Orfanato, em Vila Prudente, tem esse nome porque lá, no seu alto, no ano de 1895, começou a ser construída a segunda unidade do Orfanato Cristóvão Colombo, sendo que a primeira se localizava no Ipiranga, obras iniciadas pelo Padre José Marchetti, irmão de Madre Assunta. O terreno para a construção desse orfanato, em V. Prudente, foi doado pela senhora Maria do Carmo Cypariza Rodrigues e pelos irmãos Falchi.

Foi nessas instituições que, Madre Assunta começou sua vida missionária e passou boa parte de sua existência dedicada aos órfãos, migrantes, doentes e menos favorecidos pela vida.

No entanto, seu grande incentivador e irmão José Marchetti, em suas andanças pelas fazendas de café atendendo aos migrantes italianos, em especial, contraiu tifo e faleceu aos 27 anos. Uma dura perda para Assunta! No ano seguinte, sua mãe volta à Itália. Assunta, mesmo sozinha, não desanima e continua em seu trabalho em prol dos migrantes, pobres e doentes.

Em 1904, Dom Scalabrini vem ao Brasil em visita aos seus missionários e inaugura o Orfanato de Vila Prudente, mas apenas em 1907 é que as Irmãs de São Carlos instalam-se em Vila Prudente, com a sessão feminina do Orfanato Cristóvão Colombo; a sessão masculina ficou no bairro do Ipiranga.

A vida no orfanato era mantida por meio de doações. Segundo a própria Madre Assunta, às vezes parecia que iria faltar pão e então ela dizia: “Irmã Clarice, vá com as crianças à capela e reze com elas. Certamente nosso Pai atenderá às nossas preces”. E sempre aparecia um benfeitor inesperado!

De 1912 a 1918, é nomeada Superiora Geral da Congregação.

Depois desse mandato, é enviada à Nova Brescia, no RS. Após 8 meses, voltou a São Paulo para cuidar de sua mãe muito doente. Em 1923, é enviada a Jundiaí. Em 1924, para Monte Alto para abrir a Santa Casa de Misericórdia para atender aos mais pobres.

Dormia na enfermaria para cuidar dos doentes, foi quando acabou lesionando sua perna que tinha erisipela, o que fez com que ela sofresse até o fim da vida sem, no entanto, reclamar.

Madre Assunta soube enfrentar as dificuldades, na simplicidade, sempre decidida a proteger os órfãos e manter vivo o carisma fundacional da Congregação. À noite, atendia a todos os que batiam à porta do pequeno ambulatório instalado no orfanato de Vila Prudente – SP. Nos hospitais, os doentes sempre a queriam por perto para curar suas feridas e/ou para escutar seus conselhos. Dormia ao lado dos doentes para atendê-los a toda hora. Sabia ouvir, partilhar, valorizar. A religião, para ela, era o serviço aos pobres. Com a mesma solicitude com que se dirigia à capela para rezar, dirigia-se aos pobres para ajudá-los, pois, dizia ela, o Cristo presente na eucaristia era o mesmo presente nos sofredores.

Com sua vida, ela fez a diferença na história de muitas pessoas marcadas pelas feridas da migração. Dizia: “Amando a Deus sobre todas as coisas, é possível doar-se incondicionalmente ao irmão”. Foram atitudes como a de colocar os outros sempre em primeiro lugar e as virtudes da acolhida e do cuidado com a vida sofrida dos migrantes, que lhe deram os títulos de “Mãe dos Órfãos”.

Em 1947, é internada no Hospital Umberto I para tratamento das pernas. Mesmo impedida de andar, entrega-se ainda mais às orações.

Em 1º de julho de 1948, após 53 anos de vida missionária, Madre Assunta faleceu, com o mesmo espírito que a fez viver: tranquila, calma e serena no meio dos seus orfãozinhos. Foi ela quem deu o primeiro passo para dar a expressão feminina ao Carisma Scalabriniano, o qual define a Congregação como “Missionárias com os Migrantes”.

Beata Madre Assunta, rogai por nós!

Fontes: Livreto: Bem-aventurada Madre Assunta Marchetti
Site: https://scalabrinianas.org/
Site: madreassunta.com.br

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